Tudo sobre a tal da serotonina

terça-feira, janeiro 22, 2019


Estranhas entranhas.

Estranhas as relações humanas, que vem e vão sem uma explicação plausível para tal. A fluidez é a característica mais marcante desse arroio que ora seca, ora sangra.
Um dia a gente já se viu muito, fez questão da presença, saboreou o peso que o outro depositou sobre suas costas, desmanchando um dia ruim num sorriso, aliviando um músculo qualquer do pescoço.
A interação vem também nos nervos, faz percorrer os capilares de todos o corpo, arrepia o pelo e dá a volta de novo para fazer o coração pular mais rápido. Te acorda no meio da noite dormida e te impede o sono numa noite fria. Aquele estalo do não dito que dá pra sentir no tímpano. Podia ser que nada acontecesse, podia ter acontecido tudo. Ou tudo aconteceu, sem que percebêssemos. É como uma respiração, automática e sensível, acontece no ar invisível toda a troca vital. Afinal, nada finda. Se tudo acontece diante dos meus olhos sem que eu visse, quem me garante que não possa ter acontecido nada comparado ao que ainda pode haver. Tudo o que houve, há ainda. É possível chegar lá ao fechar os olhos e deixar os ouvidos atentos. Lembrar dessas sensações é o que nos faz persegui-las, para nunca alcançá-las, justo por que um dia eu já as senti na pele, no rosto, na dor nos pés de andar descalço, no olho trêmulo de cansaço.
E é aqui dentro desse corpo pouco investigado, mal alimentado e com carburações pulmonares que habita o sentimento de conexão, a esquisitisse de desconectar e a surpresa de nunca ter se desligado.
Eu não queria um desligamento, eu queria uma pausa no tempo. Uma dobra que seja, um sulco desses cinematográficos futuristas para pensar em todas as direções que fluidez me levaria. E só aí me dei conta que eu teria um vida inteira nesse corpo para me arrepender o quanto precisasse, sem nunca me livrar da maldita úlcera da insegurança.
Corroída pelo medo de perder tempo eu fui embora na onda, me desfiz em areia pretendendo alcançar a montanha até entender que o tempo só existe agora. Sobraram os dentes amarelados e a nostalgia no fundo do olho de quem ainda se pega pensando no "E se" enquanto vive afundada na concretude do conforto.
O passado nunca morreu em mim.
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