Tudo sobre a tal da serotonina

segunda-feira, maio 01, 2017


Universo de mim

Eu gostaria demais de estar errada, de achar que ainda é ou há tempo. Seria bom demais poder acordar enxergando beleza no dia ou ir dormir com sensação de dever cumprido, ou só sono mesmo, já era de bom tamanho.
Sempre que eu saio na rua, eu começo a imaginar que todas aquelas pessoas passando com suas famílias não estão sentindo um terço do vazio que eu percebo em mim. Acho que sentir não é bem a palavra. Os rostos, os sorrisos, as famílias e casais unidos, o poder de compra e o carro estacionado. A vida em sua estabilidade.
Não sei se eu queria muito. Na verdade, eu não sei o que é que eu quero da minha vida além de paz. Já não sei se estar em outro país me faria feliz, por exemplo. E se eu começo a pensar que sim, estaria, quem é que disse que eu tenho espaço pra mais uma frustração dentro de mim? Eu já tirei o espaço que diz respeito a mim pra realocar frustrações, preocupações e problemas. Quero passar longe de qualquer espelho.
Pode ser que eu me cobre pra caralho e aparentemente eu sou a única que me cobro tanto e realmente ligo pra tudo que tá acontecendo. Será mesmo que é tudo só uma questão de tempo? Tempo, essa coisa deformada que se estende no universo INTEIRO e sem ressalva alguma, encaminha a todos nós para um único fim, astros e explosões, pessoas e sonhos?
Essa história de tempo até me confortaria se eu tivesse a dádiva da paciência de esperar por ele. Todo dia o monstro que é catalisar esse fim me assombra. É me deitar com o monstro, acordar com o cheiro dele, viver em sua companhia, me alimentar sob seu olhar. Cada dia que passa, ele me seduz mais e mostra menos do mundo. Toda alternativa que eu vejo é a dele, todo problema tem solução nele e cada vez que eu respiro fundo tentando me acalmar, ele preenche o silêncio da minha mente com seus planos e vidências.
Sou o tipo da pessoa que não sabe viver sem ter ao menos uma ideia de como o futuro vai ser. Não sei pisar em nuvens nem sei sonhar com “algo mais”. O mundo me parece bem maior e escuro aqui dentro do que lá fora, mas do que adianta sair e confrontar o que eu não sou e provavelmente nunca me torne? A incapacidade de racionalizar meu momento de entrega aos sentimentos me corta como uma faca salgada e suja. Infecciona, putrefa, dói e sangra. Porque é tão difícil exorcizar e seguir em frente? O universo dentro de mim implora por uma saída, que não seja fatal.



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