Eu gostaria demais de estar errada, de achar que ainda é ou
há tempo. Seria bom demais poder acordar enxergando beleza no dia ou ir dormir
com sensação de dever cumprido, ou só sono mesmo, já era de bom tamanho.
Sempre que eu saio na rua, eu começo a imaginar que todas
aquelas pessoas passando com suas famílias não estão sentindo um terço do vazio
que eu percebo em mim. Acho que sentir não é bem a palavra. Os rostos, os
sorrisos, as famílias e casais unidos, o poder de compra e o carro estacionado.
A vida em sua estabilidade.
Não sei se eu queria muito. Na verdade, eu não sei o que é
que eu quero da minha vida além de paz. Já não sei se estar em outro país me
faria feliz, por exemplo. E se eu começo a pensar que sim, estaria, quem é que
disse que eu tenho espaço pra mais uma frustração dentro de mim? Eu já tirei o
espaço que diz respeito a mim pra realocar frustrações, preocupações e
problemas. Quero passar longe de qualquer espelho.
Pode ser que eu me cobre pra caralho e aparentemente eu sou
a única que me cobro tanto e realmente ligo pra tudo que tá acontecendo. Será
mesmo que é tudo só uma questão de tempo? Tempo, essa coisa deformada que se
estende no universo INTEIRO e sem ressalva alguma, encaminha a todos nós para
um único fim, astros e explosões, pessoas e sonhos?
Essa história de tempo até me confortaria se eu tivesse a
dádiva da paciência de esperar por ele. Todo dia o monstro que é catalisar esse
fim me assombra. É me deitar com o monstro, acordar com o cheiro dele, viver em
sua companhia, me alimentar sob seu olhar. Cada dia que passa, ele me seduz
mais e mostra menos do mundo. Toda alternativa que eu vejo é a dele, todo
problema tem solução nele e cada vez que eu respiro fundo tentando me acalmar,
ele preenche o silêncio da minha mente com seus planos e vidências.
Sou o tipo da pessoa que não sabe viver sem ter ao menos uma
ideia de como o futuro vai ser. Não sei pisar em nuvens nem sei sonhar com “algo
mais”. O mundo me parece bem maior e escuro aqui dentro do que lá fora, mas do
que adianta sair e confrontar o que eu não sou e provavelmente nunca me torne?
A incapacidade de racionalizar meu momento de entrega aos sentimentos me corta
como uma faca salgada e suja. Infecciona, putrefa, dói e sangra. Porque é tão
difícil exorcizar e seguir em frente? O universo dentro de mim implora por uma
saída, que não seja fatal.





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