Tudo sobre a tal da serotonina

domingo, fevereiro 03, 2013


Duas em uma só.

                Ela pediu. Não, implorou! Eu falei que não e pronto e ela me deu aquele olhar. Aquilo sim era de se dar mais arrepios do que qualquer outra coisa macabra que ela queria enfrentar. Nossa, quando ela me olhava daquela forma tão reprovadora, eu já sabia que dali a alguns minutos eu estaria fazendo a vontade dela, indo por bem ou por mal.
                Sempre acabava me divertindo muito pouco. Festas, curtição... Meu lance era ficar em casa, na minha, contemplando os ácaros do meu lençol na frente da TV, vendo programas de reconstrução de vidas e essas coisas toscas que passam na televisão por assinatura nos fins de semana a noite. Sim, eu choro muito.
                 Pois bem. Dez da noite e ela me ligando, como o dia inteiro. Eu estava irredutível até agora, atendia, dizia não e desligava, uma chatice. Resolvi atender que nem gente e falei pra ela que eu não ia porque eu preferia ficar em casa vendo televisão do que sair com companhias babacas, que pouco acrescentavam a ela.

                 Óbvio que ela ficou com uma mágoa terrível (para não dizer ao contrário) e respondeu: "Beleza, onze horas eu te espero na esquina da tua rua." Eu, com muita raiva daquela pequena insolente que sabe que eu não me rendo à curiosidade dos locais que ela frequenta, das manias da sociedade e das idiotices que as pessoas acham que tem que se viciar para fazer parte de um meio, fui com a primeira roupa que eu vi no armário, passei uma mão com água no cabelo, perfume, batonzinho e pronto.
               Dentro do carro, eu já estava naquela típica cena: encolhida no canto da porta para ser a primeira a sair. Não que tivesse com muita gente, mas é que na minha cabeça iludida, quanto mais rápido eu chegasse, mais rápido eu saia. Afinal, eu sabia que as "barras de calça" que ela atraia, os "puxadinhos", os "colarinhos" e até "rabos de saia" a roubavam da minha companhia e eu ficava no muro. Literalmente, na maioria das vezes.
             Chegar lá era a pior de todas as partes, eu até curtia dar uma voltinha de carro ouvindo música. Gente que eu não gostava, meu mal humor subindo... E era cedo, poxa. Meia noite. Meia noite para mim, não chegou nem no final da tarde ainda. Apesar de sozinha, a cena se repetia: Eu sozinha, eu com ela. Ela com todos, eu com todos, eu sozinha. Todos indo, ela querendo ir e eu querendo ficar. É que já tinha dado tempo o mal humor passar, minha intuição aflorando, olhares esquentando minha nuca...
              Não, não se enganem, eu não gosto de baladas, inferninhos, danceterias ou sei lá que outros nomes isso tem, mas uma boa conversa num clima legal me atrai por horas. Enfim, para completar a cena oficial do meu fim de semana: Eu com ela, muita comida, chorando de rir de coisas que eu inventava para fazê-la rir, quando o que a preenchia no momento simplesmente virava as costas. Ia junto com a fumaça do cigarro.
                Eu só sei que a perdoo pelas marcas, pelo esforço em vão, palavras desperdiçadas, textos sem sentido. A vida nos separou, deixamos de ser amigas. Na verdade, nunca fomos.
           
             
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