domingo, fevereiro 17, 2013
Simplesmente coisa nenhuma.
Fui andando assim mesmo. Capuz e pus meus fones, um olá para a chuva. Alguns espirros atrapalhando a música, a pressão, mas nunca o pensamento. Talvez eu me dê o tempo de ajuste, talvez eu me ajuste pelo tempo, afinal nem ele nem eu paramos de contar.
Um jeito de sair dessa, dar um jeito de sair deste, dar um simples jeito. Talvez uma maneira, talvez um doce, talvez seja doce ou simplesmente não seja. Transparente como a água, as lágrimas da mudança perseguiam meu rosto, era só felicidade.
É o que se tem quando se consegue o que se deve ter, ou simplesmente se consegue, não complicando as coisas. O volume aumenta, ou simplesmente eu aumento de tamanho. A alma cresce, a alma infla e eu vou ficando cheia de coisas. Ou simplesmente cheia.
Sair de si, voltar a si, várias vezes até não caber mais em você tudo aquilo que há de bom. Devaneios são lisonjeios da alma, excesso de razão da tranquilidade, afinal a tranquilidade tem sempre a razão.
Personificação do amor, simplicidade invadindo os passos. Passos cada vez mais molhados, esquentado a água fria que cai dos céus, como uma águia certeira, capturando caga gota de sentimento que escorre em meio as outras. O sol já virou requinte da lua, que agora roubou seu brilho e reluz logo atrás das nuvens escuras.
Até o sangue se fez escuro, diante dessa noite cor-de-corvo. Não dói, só se reflete. Vinte e três segundos se passam, mais que isso ou nada mais. Passos rápidos, fugindo e sorrindo, comemorando coisa nenhuma. Deixando para trás passos tortos, coisas que não encontrará mais dali para frente. Ou simplesmente indo. O vento bate, seca as lágrimas misturadas à água ou simplesmente cura. Cura do momento, cura os passos lentos e cura ainda mais coisas, imperceptíveis a olho nu.
Capuz e dispus de uma cena linda. Simplesmente linda como coisa alguma já foi. Transgredia e transbordava minha alegria de viver para ver e crer que se pode sim ser. Ou simplesmente acreditar que isso tudo, esse refresco, vem de dentro, de ser novo. E de novo ser.
De repente as águias águas param, ou simplesmente cessam todo aquele drama celeste. A tal lua aparece por dentre as nuvens cor-de-chumbo. É aqui que eu fico vendo coisa alguma, sendo muito coisa pra alma. Alimentando o bem-estar e vivendo o agora, molhada de chuva, rindo como uma criança. Simplesmente me sendo certa, sendo eu, resolvendo em mim o que não se pode ver.





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