Tudo sobre a tal da serotonina

domingo, novembro 18, 2012


Talvez

                  E então as coisas começam. Você se vê perdido em meio a muita coisa das quais você sempre duvidou que hesitaria em fazer. Um novo começo, certamente. Conceitos destruídos, a cabeça já não é mais a mesma. Talvez se eu ainda pensasse...
                  Vozes me dizem o quanto eu estou errada. Sempre errante. Minhas maneiras tortas costumavam a dar certo, as pessoas costumavam gostar das minhas coisas tortas. Mas ai eu vi que não era o certo ser torta desse jeito... Era tudo aceitação.
                   Pés gelados, frios de pisar no chão úmido, molhados de água decorrente da chuva em minha janela. O brilho da lua na parede já não soa mais tão poético, já não me soa mais como antes por que eu não estou mais sozinha como antes. Era um ser vazio, sólido, rodeado de papéis, agora sou apenas um papel rabiscado, ganhando forma, rodeado de sólidas e gigantes armações. Concretas como eu julguei que nunca seriam.

                   Nariz vermelho, lágrimas, sorriso no rosto. Talvez eu tivesse visto como vai ser a vida daqui pra frente se as coisas não forem tão difíceis. Talvez se a vida fosse mesmo um precipício, eu já não tivesse adentrado no imenso buraco, só pela curiosidade de ver se lá eu poderia me esconder dos julgamentos.
                     É como um tribunal onde o réu não sabe lidar. E todos os jurados, juízes, advogados, serventes e talvez até o martelo do veredicto  estejam ali pra te julgar, só te julgar e ir embora, sustentados por teorias. E talvez você ficasse ali, parado, acuado, fraquejando e arquejando sem poder se mover. Ou talvez corresse atrás pra mostrar que eles estão enganados.
                    Vendo assim parece simples para o mundo que julga, é muito simples olhar nos rostos, agora sólidos a sua volta, levantar e sair correndo atrás. Mas não é tão simples vislumbrar e se libertar do medo quando se está na pele de um réu recém saído de uma série de processos.
                     Minha lágrimas nunca caíram tão pesadas como agora. Porque será que eu não resgatei tudo a tempo de ainda me manter uma pessoa inteira pra continuar seguindo em frente? De uma barra tão sólido e moldada erroneamente por mim mesma (eu, tola como sou achando que tinha feito a peça mais rara do mundo) acabei por me tornar um simples papel, com muita coisa no verso, nenhuma inspiração de continuação.
                      Só um coração me sustenta. E sem um desses dois corações (o meu e o outro), não sobrará nenhum dos dois. Talvez eu tenha que deixar as coisas irem pra me libertar realmente disso. Mas eu posso sentir, há um talvez que me faz ter esperanças. Esperanças de deixar os corações baterem e não desistir, porque talvez, ainda existam outros corações que possam querer ver o meu batendo.
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