Tudo sobre a tal da serotonina

terça-feira, maio 21, 2013


Vermelho

              Essas nuvens espessas. Essas nuvens espessas mais claras que o céu, mais leves que o ar... São nestas mesmas nuvens em que eu estou deitada, cortejando o vento e sentindo a sensação da liberdade. A maciez que vida um dia já teve e há de ter, agora eu acredito...
            Penso se esse vento frio, esse mesmo vento frio que leva minhas lágrimas embora e me força um sorriso, se ele pode mesmo ser real. Talvez até posso não passar apenas de um sonho meu. Um sonho onde eu tenho todo esse conforto, que toda essa umidade gelada me consome.
             A única cor que se destaca aqui de cima é o vermelho. O vermelho está em tudo, nos olhos dos apaixonados, nas bocas e nos beijos. Nos pés cansados, na comida que alimenta uma boca pintada, quem sabe até três. Está nos olhos de raiva, no barulho de uma confusão, ao soar de um alarme. O vermelho das veias, vermelho velho, vermelho cansado, na irritação ocular de um bêbado.
             Vejo tudo isso, não tenham dúvidas. Eu até penso em ser vermelho, eu até tento, mas minha cor não é compreendida. Não quero me tornar a ser vermelho, por assim ser. Me contento com este azul anil fraco e frio...
               "Sejam simples, sejam breves, não compliquem!"  - dizem eles como se fosse fácil enxergar todo esse vermelho - mas sou apenas um simples azul fraquinho, misturado a outras coisas e cores feias que se destacam. Acabo que prefiro minha nuvem, coitada.
                Daqui eu posso gritar... Grito bem alto até chover. Corro, me molho e eu sei que alguém entende, um alguém qualquer que sente essa sensação na barriga ao primeiro "shhhhh" com cheiro de terra molhada. Daqui, a lua fica mais perto, as estrelas brilham um pouquinho a mais e eu posso mandar os bons ventos para quem eu desejo que seja guiado certinho. Aqui não tem julgamento nem condenações.
                 Tirando o fato de que as sensações são racionais, nada mais aqui é humano, físico. Sem amarras, sem correntes, só esta  nuvem pesada, que cobre teu céu nessa noite, para pegar só pra ela o brilho das estrelas e recompensar-te depois com a noite mais linda que já vistes.
                   O vermelho por dentro que eu sinto aqui, é como um beijo simples e devagar, sentido a cada toque, dizendo muito mais do que um mar de palavras, embalado pela luz do luar. E que seja leve enquanto for sólido.
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