Eu rolava na cama. Rodava, rolava, sentava, suava e nada. O suor já escorria pelo meu rosto, os lençóis revirados e alguns brancos já transparentes de suor. Horrível, eu sei, mas não tinha sono. Na verdade, tinha algo que não era o suficiente pra me fazer dormir.
Fiz meu coque alto nos cabelos e fui tomar um banho. O terceiro nesta noite, por sinal. Ensaboei-me com toda espuma possível, a fim de arrancar aquele calor insuportável do corpo. Eu não sei o porquê disso tudo, nem estava tão quente assim, a ponto de deixar uma pessoa friorenta com insônia.
Voltei à cama agarrada aos travesseiros. Lençóis trocados e o meu perfume tomando conta, acalmando-me. O calor? Bom, passou, mas a ansiedade ficou e o sono, esse sim foi embora de uma vez. Sem previsão de retorno.
Nada adiantava, eu já estava na minha forma mais irredutível de cansaço. Fui até a geladeira, fitei e logo me apaixonei pela única coisa que tinha lá: um sanduíche de fast-food que sobrou do almoço e leite. Sem pensar duas vezes, esquentei o leite e comi o sanduíche como se fosse a minha última refeição. É, eu não estava morta.
Peguei a caneca com o leite quente e fui em direção a janela. A abri e fui para a varanda. Assim como eu, o tempo era coberto. Grossas nuvens cinzas, e os pássaros voando em direção ao sol, que estava longe, muito longe dali. Mais do que a minha cabeça até.
Ali eu comecei a enfeitar avida. Pus uma música para tocar e fiquei tomando leite até o sono vir. Sentei-me à mesa e pensei no que viria. Pensei se os enfeites que eu pendurei há um tempo atrás no meu futuro estavam seguros ainda. Pensei se os que passei quase a manhã toda pondo, estavam no lugar certo.
Subi a vista para a poltrona. Era gelo, branco gelo. Godê e assentado. Cuidadosamente feito, modelado e me fazia ter calafrios. Era reconfortante e ao mesmo tempo me trazia os nervos a flor da pele. O mais lindo que eu já vi. E então, o telefone toca e a voz que cala tudo ao meu redor sussurra: E ai, tá pronta?





0 comentários:
Postar um comentário