Tudo sobre a tal da serotonina

domingo, agosto 19, 2012


O meio

                 Andei até a metade da ponte como quem não quer nada. Eu simplesmente tive vontade de sair correndo pra lado mais próximo que eu estava. Só que eu estava no meio. Se eu fosse pra esquerda, me remetia ao passado. Aquela cidade não me pertencia mais. Tanta boemia, tantas pessoas que eu não queria mais encontrar, fosse por erros meus como por erros dos próprios. Não me pertencia mais, enfim.
                 À direita, estavam as outras oportunidades. O conformismo das novas possibilidades. Eu teria de agarrar o que viesse e me acostumar severamente com aquilo, por mais cruel que parecesse. Ninguém por mim, nada a se temer, temendo tudo, simples assim.
                Confesso que eu achava que ir pra direita, seguir em frente, era o certo a se fazer. A idealização de fazer-me sentir feliz, sem ter que cruzar com os fantasmas mais reais possíveis do meu passado me seduzia a cada vez que a palavra "direita" passava em minha cabeça.
                 O certo, o certo, o certo... Aquilo eclodia. Eu saberia mesmo o que era melhor mim? Claro que saberia, quando as coisas que me fossem impostas pela possível felicidade e novas oportunidades não me fizessem bem. Aquilo sim, não me pertenceria. Nada melhor do que se sentir aconchegada como num berço. Mas aonde?
                  Pontes nunca foram confortáveis quanto aquela em que eu me encontrava. Mas eu não podia ficar ali. Não tenho a personalidade de quem fica "em cima do muro" por muito tempo. Cinco, dez, sessenta, noventa minutos e está de bom tamanho.
                  Levantei para atirar uma simples pedra seca e vi que me sentia como ela. Não seca, mas triste. Uma pedra se torna "triste" por ação do tempo, de como ela chegou ali. Cheguei ali triste e resolvi que só seria feliz projetando para frente coisas pendentes do passado.
                 Ao contrário do que costumam dizer, a felicidade não passa rápido se você persistir por ela. E a vida não é uma tristeza toda que só melhora quando ela passa ao menos um tempinho. Altos e baixos sim, mas nesse meio tempo, ela sempre fica no meio termo, como uma ponte, onde eu estava. Porque não deixar aquele meio mais elevado ao ponto da felicidade?
                  Não sou uma pessoa triste. E nem tampouco rancorosa como me tornei. Joguei a pedra para quicar pela água e simplesmente voltei para a esquerda. Fui para esquerda como quem ia para a direita. Querendo criar algo novo. E ai sim, pensar se devia arriscar a mim mesma pra seguir em frente.


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