Tudo sobre a tal da serotonina

sexta-feira, fevereiro 17, 2012


Deixe estar

Quinhão bondoso era o que faltava àquele povo sem escrúpulos. Parecia o berço da discriminação, talvez até de preconceitos, resultantes sabe-se lá de quantos segundos de observação mal feita e totalmente grosseira.
           Uma pílula e você estará curado. Leia-se: Fuja dos problemas errados e retarde seu encontro com eles. Se é que a morte era um problema naquela situação.
           Cama de pés enferrujados, suspensa somente por uma madeira cheia de cupins, pintada de cinza. As molas partiam-se em quatro a cada movimento em falso do que habitava ali em cima do colchão poroso e fundo. Sim, “coisa” era como eram tratados.
            Um local humano. O ser humano era tudo aquilo, na verdade: Sujo, enferrujado, fundo, cheio de poros lotados de ácaros. Somente seguros por madeiras podres sendo comidas a cada dia mais, porém totalmente maquiados, pintados de cinza brilhante para enganar quem os vê pela primeira vez.
            Adentrar naquele mundo parecia mesmo um sonho dourado. Só não foi informado que o dourado era falso, vinha de uma marca de tintas baratas e o sonho era totalmente fabricado  
                 O egoísmo da fabricação dos sonhos, a tirania da escuridão de fatos, ou seja, mentiras impostas que terminam virando verdades. E ainda se perguntam por que quem reside em tal local é tachado de... Deixa para lá.
               Cuidar de gente pode ser uma coisa aterradora, mas só mostra que tudo o nosso redor reflete características comuns ao ser contemporâneo. Todos temos podres praticamente iguais.
             Perfume barato era o que mais se sentia no ar. Aquele cheiro era ainda maior que o cheiro de excrementos de gato ou o de álcool hospitalar. Os residentes daquele mundo mediocremente inabitável exibiam um semblante calmo e tranqüilo, quando deveriam estar revoltados com aquelas condições de vida.
             Bom, se bem que se isso acontecesse, eles seriam obrigados por meio de drogas a voltar ao que é o pressuposto normal pelo senso comum. Assim como na vida: Você se prepara parar explodir e se convence e que está errado, porque o normal é aceitar.
              É que todos somos loucos. E todos somos humanos. E deixe estar, um dia alguém tem que parar.

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