Eu deveria ser uma pessoa conformada em ser uma pessoa crítica, no melhor sentido da palavra. É muito difícil para mim olhar um objeto e não me perguntar de onde vem, por que está ali e quase que automaticamente precisar dele. Essa tecnologia, essa facilidade misturada à agilidade do século provoca essa necessidade sem motivo, o peso de não possuir.
Na verdade, acho que a vida como um todo seria mais fácil se nós permanecêssemos no escuro, no não saber. Sou do tipo que não me incomodo com a água da chuva, o cheiro de planta e muito menos com aquelas crianças do interior me olhando mexer num smartphone. Vocês já viram o céu do "mei do mato"?
Seria interessante ter sido como essas crianças, almejar a boneca ou a bola nova dos filhos do patrão. É sofrido, eu sei, mas quando não vivemos outras realidades, nós simplesmente não sentimos falta... Muitas dos problemas e das dores cotidianas advém dessa facilidade de informações, dos auto diagnósticos sentimentais. Quem vive afastado dificilmente sofre desses males. O sentimento é bruto, os atos são fáceis.
Admiro quem se contenta com a felicidade de tomar banho às cinco da tarde, arrumar-se com a melhor roupa e ir para a igreja mais simples que se possa imaginar, admiro quem trabalha o dia todo no sol da lavoura, janta "a janta da muié" e acorda mais cedo no outro dia para obter a comida dos "fio".
O sorriso nos rostos de cada uma das marias e josés nessas condições são a prova de que muitas vezes, saber demais nos deixa mais propensos a sofrer, a vida deve ser leve. É como eu sempre gosto de pensar: Não gosto dos meus pés, do formato, da cor ou das unhas. Gosto para onde eles me levam, gosto de como eles carregam e não importa o quanto doam, tira-los do chão sempre será um alívio.





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