Aquele barulhinho de semente me agrada. Sabe aquela pulseirinhas de vendedor de brinco na praia, cheias de semente, batendo uma na outra? Então, aquele som é delicioso. Som de água batendo em certas coisas. Torneira pingando no papel... É um som muito interessante.
Barulhinho de mar, barulho seco de casca dura, barulho de dedos estalando. Gotejar na folha, inclusive o cheiro de terra molhada e o som dos passos numa terra fofa que afunda... Ou quem sabe até uma corrida nas poças que se formam. O silêncio, aquele silêncio que só se ouve quando entra no carro sozinho e fecha a porta. O som da minha, da sua, de uma respiração, o mecanismo do ser.
Então, aquela bicicleta que passa na rua num domingo a tarde, a risada de uma criança, um obrigado à moça do caixa. A caneta escrevendo no papel, a tinta na ponta do pincel. As folhas no vento, o vento nas folhas. O movimento das aves e o movimento das peças do xadrez dos velhinhos.
O pacotinho do picolé abrindo em um dia de sol, o barulhinho o refrigerante aberto pela primeira vez, o gás saindo ou a latinha. Até o suco caindo no copo, como queira. Barulho do amendoim quebrando na boca, barulho do ventilador ligando ou do ar condicionado, depende da sua classe.
Fico ainda com os menos favorecidos. Aqueles que acordam ao som do galo e junto com ele, o som dos punhos da rede esticando, "desesticando" e rangendo quando levantam-se dela. A lenha queimando para fazer o fogo, o café cheirando, borbulhando e o barulho dos dentes sendo escovados.
Passarinhos piando, o arrastado das chinelas pra esquentar os pés no solzinho da manhã, espantar o friozinho orvalhado das seis horas, um bocejo, um beijo. Sabe aquele beijo estalado que a gente ganha, logo quando a gente sente o cheiro de quem a gente gosta, que tem um gostinho de quero-mais-muitos? Então, é esse ai.





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