Tudo sobre a tal da serotonina

domingo, março 18, 2012


Olhos Perversos

                   Eram exatamente assim, perversos. Não que fossem pra ser, sei lá, mas pareciam mesmo. Eu creio que o olhar seja o espelho da alma. Os olhos brilham e ao mesmo tempo você pode ver a aura da pessoa se iluminar por completo. A pessoa transborda esse brilho em lágrimas e aquilo se apaga, a aura fica fosca, quase inexistente.
                    Sim, isso é um papo bem espiritual, mas creio que não seja exclusivo ao ver as coisas dessa forma. Pois bem. Eu não entendi quais eram as intenções tão obscuras daqueles olhos. Estavam cansados, brilhosos e incertos antes mesmo de toda a fúria que implicavam.
                      Talvez a intenção fosse mesmo afugentar os que não tinham vontade de olhar para ver, e sim pra observar sem enxergar nada concreto. Sim, olhos falam, afinal, é por onde choramos, é por onde mais rimos e é por eles que enxergamos a maioria dos sentimentos que o ser humano tem que transparecer. Aqueles olhos me pareciam bem inteligentes.
                        Precisavam de carinho e queriam dar carinho. Falavam comigo, conversavam e contavam o quanto estavam sedentos a procura de uma válvula de escape. Enquanto isso, sua boca de mexia quase que sem parar, rindo do que as pessoas falavam, contando casos engraçados que talvez nem fossem tão engraçados.
                         Não sei vocês na minha situação, mas eu senti uma imensa vontade de suprir tudo aquilo. De acolher e de fazer se um porto seguro, mesmo só usado uma única vez. Eu precisava repousar aquele olhar perverso, querendo ignorar o mundo que tanto o calejava. Quão árduo deve ser sustentar vários seres dentro de si e ser apenas um só?
                          Inconstante e complexo. Era tudo aqui do que se tratava. Engraçado como a distância e o mistério fazem você enxergar coisas óbvias e não ter coragem de admitir. E eu gosto disso, até demais.
                          Poderia estar em qualquer lugar, a qualquer momento, mas eu estranhamente estava gostando de ter aquele experiência de análise. Será que alguém um dia seria capaz de concluir tantas coisas de mim quanto eu conclui daquele olhar?
                             Nem os mais salobres segredos podem ser escondidos na verdade do olhar. Nada. nem mesmo o tédio é imperceptível. Acabei vendo que éramos iguais. Frios na pele e na máscara por serem completos por uma magma de emoções. Distantes, aprendizes do ser humano por suportarem quinhões diferentes, cargas atribuídas e ainda conseguirem ser essencialmente fiéis ao que se tem em mente. Quem sabe no futuro eu não faça parte daquele olhar. Quem sabe aquele olhar seja pra mim um dia. Quem sabe.
                         
   
               
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2 comentários:

Carlos Loco disse...

:n catarina otimo texto.

Catarina Nogueira disse...

Nacredito que tu comentou, que fofo, kkk Obrigada! *-*

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